Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. 239 948 523 União das Freguesias de Condeixa

Conímbriga - a epopeia de Virgílio vai ganhar novos capítulos

A história das ruínas romanas mais famosas do país confunde-se com a dos quatro diretores que marcaram a sua expansão e evolução desde a abertura ao público, em 1930. O último é Virgílio Hipólito Correia, o homem que quer retomar as escavações e expandir o sítio arqueológico mais três ou quatro hectares até 2020.

Esta podia ser uma história traumática: a da criança que queria sempre visitar as ruínas de Conímbriga mas a quem o pai, "que não tinha paciência para ser arrastado para sítios arqueológicos", nunca fazia a vontade ("arranjava sempre uma desculpa"). Mas não é. É antes a história de como essa criança, por obra do destino, se tornou no diretor do mais famoso sítio arqueológico romano do país e, agora, planeia fazê-lo crescer, com a compra e escavação de três ou quatro hectares, que deixarão os futuros visitantes à porta do anfiteatro que era o centro da antiga cidade. Virgílio Hipólito Correia é o narrador dessa epopeia, de olhos postos no futuro.

O projeto de ampliação e modernização do Museu Monográfico e das ruínas de Conímbriga (concelho de Condeixa-a-Nova, a 15 quilómetros de Coimbra) - um investimento previsto de três milhões de euros, que vai ser candidato a fundos comunitários, ao abrigo do programa Portugal 2020 - pode ser o momento mais emblemático da vigência de Virgílio Hipólito Correia à frente de Conímbriga (já lá vamos). No entanto, a história da antiga cidade romana (habitada, pelo menos, entre os séculos IX a.C. e VIII ou IX d.C) é rica em marcos, mesmo que o sítio arqueológico, aberto ao público desde 1930 e com museu associado desde 1962, só tenha conhecido quatro dirigentes máximos ao longo de 85 anos de história. Virgílio Correia (primeiro encarregado das escavações), Bairrão Oleiro (primeiro diretor do museu) e Adília Alarcão (quem mais tempo permaneceu no cargo, de 1967 a 1999) antecederam o atual diretor.

Virgílio Hipólito Correia, de 52 anos, fintou a tal falta de paciência do pai para visitar ruínas, a meio das viagens entre Évora (onde o dirigente nasceu) e o Porto (onde tinha família e tirou o curso de arqueologia). E depois de anos como professor do ensino secundário e técnico do Serviço Regional de Arqueologia do Sul (onde se especializara na idade do ferro) chegou a Conímbriga, "de forma surpreendente, até". Lá trabalhou como arqueólogo desde 1990, e diretor desde 1999. "Sou franco: então Conímbriga não estava nos planos. Aceitei o lugar, porque a outra opção era voltar a dar aulas numa escola secundária, algo que não me apetecia. Mas, depois, o lugar capturou--me. Apercebi-me do potencial de coisas que ainda havia para estudar. Sabe-se imenso, mas cada coisa que se descobre lança mais duas ou três perguntas. Temos um potencial excecional", descreve.

A exploração desse potencial é o futuro. E o caminho é a compra dos terrenos da antiga cidade romana (que ainda estão na mão de particulares) e o retomar das escavações. "Quando se fizeram as grandes expropriações dos anos 40 não havia a noção correta: pensaram que estavam a comprar Conímbriga inteira, mas ficou uma parte de fora. O diagnóstico dessa situação foi feito em 1953 mas 60 anos depois ainda andamos a tentar resolver o assunto", recorda o diretor. "O Estado é dono de 16 hectares, mas estamos a comprar mais três ou quatro. Não parece uma modificação extraordinária, mas do ponto de vista qualitativo é algo muito significativo. A expansão será na zona para norte da Casa dos Repuxos, em direção à aldeia [Condeixa-a-Velha, vizinha das ruínas] e ao Anfiteatro, que está no meio da aldeia", sublinha Virgílio Hipólito. Cinco anos para nascer algo novo

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